Estava na esquina da
Ministro Otávio Kelly com a Francisco Dutra, em Niterói, esperando Ângela para irmos à
UNIPAZ.
Vinha com medo, muito
medo, mas uma determinação de viver, de seguir os caminhos da vida, enfrentando
as dificuldades e vencendo-as.
Respirando, comecei a
olhar em volta o bonito lugar, por onde passei tantas vezes, sozinha, com
Mateus, com Ernesto, num passado distante do qual só restamos dois.
Lembrei das caminhadas
de mãos dadas, às vezes os três.
Lembrei dos longos
passeios que Ernesto fazia com Mateus, olhando, conversando, subindo em muros e
árvores para pegar frutas.
SENTI a mudança no
ambiente, em mim.
Aquele lugar NÃO É o
mesmo lugar: as bonitas casa estão sendo substituídas por bonitos prédios.
O clima é outro.
As pessoas são outras.
Eu sou outra.
Senti ali que tudo
muda.
Olho o morro do Vital
Brasil, o céu, e sinto que tudo passa.
Que tudo volta para
Deus, única permanência, que cada um intui de um jeito.
O ABERTO de Jean-Yves Leloup.
Sinto que um dia eu
também passarei, irei para Deus.
Ao meu lado passa um
pai jovem, com dois meninos; um me olha.
O pai diz:
- Eu já te disse: hoje
é hoje, amanhã é amanhã...daqui a pouco a gente vai dormir, o dia acaba...
E não ouvi mais.
Não precisava...
Eclesiastes...
(Escrito em 2003)
Foto: de grafite no prédio da Reitoria da UFRJ

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